COMO A NUTRIÇÃO NOS PRIMEIROS 1.000 DIAS PODE PROMOVER ALTERAÇÕES NA GENÉTICA DA CRIANÇA

Nutrição Pediátrica
Data de publicação: 01/11/2018
COMO A NUTRIÇÃO NOS PRIMEIROS 1.000 DIAS PODE PROMOVER ALTERAÇÕES NA GENÉTICA DA CRIANÇA

Os primeiros 1.000 dias são fundamentais para o desenvolvimento da criança e a nutrição tem papel fundamental neste processo.

A genética controla praticamente todas as características do Ser Humano, mas de acordo com os hábitos de vida e o ambiente social em que o indivíduo está inserido, mudanças podem ocorrer afetando o funcionamento de alguns genes. Essas “mudanças” são chamadas de alterações epigenéticas. 

A nutrição, a exposição à poluição, o uso de drogas, a prática de exercícios, dentre outros fatores ambientais podem promover alterações em algumas funções dos genes, deixando "marcas epigenéticas" que poderão ser herdadas inclusive pelas gerações futuras daquele indivíduo.

Quando falamos de alimentação especialmente na fase mais intensa de crescimento e desenvolvimento do bebê– os primeiros 1000 dias -  situações de má nutrição (desnutrição e obesidade) podem gerar impactos à longo prazo, como por exemplo uma maior propensão ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes, dislipidemias e hipertensão arterial. 

De fato, os alicerces da saúde de uma pessoa - incluindo sua predisposição à obesidade e a certas doenças crônicas, são amplamente definidos durante essa janela de mil dias.



No final do século passado, por volta dos anos 2.000, houve uma corrida imensa no sentido de se fazer o mapeamento genético do ser humano. Havia uma ideia de que se fosse mapeado todo o genoma humano, poderíamos prever com antecedência qualquer doença, manifestação ou o próprio envelhecimento daquele indivíduo e poderíamos programar um meio de protegê-lo nessa caminha da vida. 

Foi um fracasso total porque se percebeu que haviam outros fatores que atuavam e modificavam a expressão genética do homem, isso já era conhecido como fenótipo, mas não tínhamos a ideia por exemplo que a nutrição tinha um papel tão importante. 

Com o advento dos 1.000 dias, isso começou a ser olhado principalmente em questão de desnutrição: se percebia que crianças com potencial genético muito bom ao sofrer de desnutrição elas passavam a ter problemas desde intolerância à glicose desenvolvendo o diabetes precocemente, uma incidência muito maior de doenças cardiovasculares a longo prazo, o desempenho cognitivo e de desenvolvimento neuromotor precário. 

Então, isso trouxe para o nosso conhecimento uma coisa que passou a se chamar epigenética, porque são fatores que agem além da genética modulados pela nutrição adequada ou não e que acabam tendo consequências a longo prazo na vida daquele indivíduo, que durante os 1.000 dias poderia ter sido protegido se tivesse uma nutrição adequada. 



Referências:
Hellmuth C. et al. Maternal Metabolomic Profile and Fetal Programming of Offspring Adiposity:Identification of Potentially Protective Lipid Metabolites. Mol Nutr Food Res. 2018 Apr. 30:e1700889.
Koletzko B. et al. Long-Term Health Impact of Early Nutrition: The Power of Programming. AnnNutr Metab. 2017;70(3):161-169.
Koletzko B, Chourdakis M, Grote V, Hellmuth C, Prell C, Rzehak P, Uhl O, Weber M. Regulationof early human growth: impact on long-term health. Ann Nutr Metab. 2014;65(2-3):101-9.
Grantham-McGregor S. et al. Developmental potential in the first 5 years for children indeveloping countries. Lancet 2007; 369: 60–70.



CONSULTE SEMPRE O MÉDICO E/OU NUTRICIONISTA
O leite materno é o melhor alimento para os lactentes e até o 6° mês deve ser oferecido como fonte exclusiva de alimentação, podendo ser mantido até os dois anos de idade ou mais. As gestantes e as mulheres que amamentam precisam ingerir uma dieta saudável e equilibrada. O uso de mamadeiras, bicos e chupetas pode dificultar o aleitamento materno, principalmente quando se deseja manter ou retornar à amamentação. O médico pediatra e/ou nutricionista deve ser sempre consultado.